Diário de uma Paixão

segunda-feira, agosto 28, 2006

O gelo dos dias

Os dias vão passando como que folhinhas magras e frágeis de calendários de secretária.Cada dia marca um grau descido na minha temperatura corporal,dizem que os mortos são gelados,dizem que no momento da nossa morte o corpo que ali está perde exactamente 21 gramas.Eu anseio o gelo e a leveza do ser por cada grau que perco.Sou eu que os perco,sou eu que os ganho,sou eu que sei,fracassei ao nascer e tornar-me gente.Os dias são assim o meu sossego de alma ainda que moribunda,existente.Por cada um vou-me apaixonando como uma menina de tenra idade se apaixona por personagens de banda desenhada,a cada página uma nova história de amor.São eles que me trarão o descanso da terra ou do céu,são eles que me vão abraçar quando cair pela ultima vez no chão frio deste mundo injusto.
Eles passam como carros desenfreados de adrenalina na auto-estrada em frente da janela do meu quarto,como se algo os perseguisse.Sou eu que fujo das pessoas,das paisagens,dos beijos,do calor terno de quem nos quer.
Anseio pelo descanso que me vão trazer,não demorem,estou cansada de lutar contra o calor,e a cada dia que passa se torna mais doloroso aguentar este cubo de gelo a que chamam coração.Eles passam e eu,orgulhosa,passo com eles

Eu sou a que anseio pela morte dos dias,no gelo que me trazem em seu ventre.

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